No próximo domingo, acontece o Grito dos Excluídos. No "dia da independência" do país, os excluídos da sociedade - os que não tem uma vida digna, como moradores de rua - ganham espaço na mídia e todos (e todas) são convidados a refletir políticas públicas para esses setores na sociedade.
O Grito acontece em toda a América Latina. Mobiliza movmentos sociais e igrejas. Há onze anos é realizado. É... pouca coisa mudou. Não sei se por falta de iniciativa do poder público (que sempre ouve reivindicações para melhoria nas políticas públicas) ou pela insistência dos excluídos e viverem assim. Não sejamos hipócritas: há pessoas que, de fato, preferem viver na rua, sem trabalho, sem se esforçar para conseguir o seu pão de cada dia. Preferem ser medíocres. Cada um tem a sua opção (vivemos num regime demo-crático)...
Toda essa introdução serviu preu me relembrar do Grito dos Excluídos de 2004 que aconteceu em Monte Sião. No clima de incerteza, era ano de eleições municipais. A Pastoral da Juventude (da qual eu participava na época) fez um movimento pelo voto consciente. Repercutiu na mídia local (e, claro, mais pelo boca a boca). Todo mundo só falava nisso até o Natal (quando a pauta muda para a elaboração de modelos de peças de tricô pra alta estação).
É, a realidade da cidade mudou. Nova administração, novas lideranças políticas surgiram... Espero que o melhor esteja reservado para esta cidade que tanto sofreu com o não-investimento em educação, saúde e lazer na sua Belle époque dos anos 80.
Hoje sei porque tantas pessoas saem da cidade pra estudar, em busca de um futuro melhor.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
Carlos Herculano Lopes, cronista, romancista e jornalista
Carlos Herculano, jornalista do Estado de Minas, esteve na Faculdade de Comunicação da UFJF para falar de grandes reportagens, crônicas e sua carreira no jornalismo.
Foi um verdadeiro bate-papo, recheado com seus causos e conselhos. E um pedido também: "faça uma crônica".
Bom...taí, Herculano! Obrigado por incentivar a escrever a 'O povo'. O acontecimento que inspirou essa crônica ocorreu dois dias antes.
Mais uma vez, obrigado!
Foi um verdadeiro bate-papo, recheado com seus causos e conselhos. E um pedido também: "faça uma crônica".
Bom...taí, Herculano! Obrigado por incentivar a escrever a 'O povo'. O acontecimento que inspirou essa crônica ocorreu dois dias antes.
Mais uma vez, obrigado!
Musicomunicando
No universo da comunicação, também temos a música. Por ela, exprimem-se sentimentos, conquistam-se nações (até mesmo em estádios lotados), realizam-se "viagens", manifestam-se ideologias...O músico, tomado pela inspiração divina, prepara suas mãos, seus pés, sua boca, sua garganta para encher o mundo de barulho, tal qual o pintor com seus quadros ou o jornalista com seus artigos (olha a gente aí!).
Porém, caro leitor, voltemos um pouco na estória. Voltemos ao pré-momento do início do espetáculo, no qual o músico se prepara e sua barriga dói de nervosismo - mesmo se o show for pequeno, só para os amigos, afinal, "herrar é umano".
Fiz esta reflexão depois de me apresentar em julho de 2007 com algumas bandas que toco em Monte Sião. Antes de começar o show, estava eu sentado num canto do camarim, observando a concentração dos meus amigos músicos, que faziam seus últimos ajustes em seus instrumentos musicais (bateria, guitarra, violão e baixo). Como sou tecladista, "meu filho" já estava montado no palco, todo programado, esperando-me.
Achei engraçado! O tecladista não tem este momento de intimidade com seu instrumento minutos antes de tocar no palco - coisa que os baixistas e guitarristas têm (até mesmo o baterista, já que ele carrega suas baquetas). Por isso, a relação de confiança entre o teclado e o tecladista deve ser grande. Para comprovar isso, espiei por uma brechinha da porta do camarim e lá estava ele: o meu teclado, quietinho, me aguardando. Parecia um pai esperando por seu filho ou o namorado esperando pelo seu amor.
De repente, um grito: "Marcelo! Vamos! Tá na hora do show!" Acordei da reflexão. Era chegada a hora! Os filhos dos homens seriam entregues nas mãos dos músicos (e o som seria entregue aos ouvidos dos espectadores).
Lá embaixo, gritos, urros e aplausos. No palco, umas poucas microfonias. E música por todo o espaço.
Data: novembro/2007
Porém, caro leitor, voltemos um pouco na estória. Voltemos ao pré-momento do início do espetáculo, no qual o músico se prepara e sua barriga dói de nervosismo - mesmo se o show for pequeno, só para os amigos, afinal, "herrar é umano".
Fiz esta reflexão depois de me apresentar em julho de 2007 com algumas bandas que toco em Monte Sião. Antes de começar o show, estava eu sentado num canto do camarim, observando a concentração dos meus amigos músicos, que faziam seus últimos ajustes em seus instrumentos musicais (bateria, guitarra, violão e baixo). Como sou tecladista, "meu filho" já estava montado no palco, todo programado, esperando-me.
Achei engraçado! O tecladista não tem este momento de intimidade com seu instrumento minutos antes de tocar no palco - coisa que os baixistas e guitarristas têm (até mesmo o baterista, já que ele carrega suas baquetas). Por isso, a relação de confiança entre o teclado e o tecladista deve ser grande. Para comprovar isso, espiei por uma brechinha da porta do camarim e lá estava ele: o meu teclado, quietinho, me aguardando. Parecia um pai esperando por seu filho ou o namorado esperando pelo seu amor.
De repente, um grito: "Marcelo! Vamos! Tá na hora do show!" Acordei da reflexão. Era chegada a hora! Os filhos dos homens seriam entregues nas mãos dos músicos (e o som seria entregue aos ouvidos dos espectadores).
Lá embaixo, gritos, urros e aplausos. No palco, umas poucas microfonias. E música por todo o espaço.
Data: novembro/2007
O povo
Fui cobrir a instauração da Comissão de Ética para apurar as denúncias contra o vereador Vicentão, ex-presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora. (http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2008/07/16/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=71806/em_noticia_interna.shtml)
Foi um espetáculo de muita gritaria e confusão. Confusão devido à briga que ocorreu entre os partidários do vereador e do movimento "Fora Vicentão". http://www.radiosolar.com.br/noticias.php?news=2177
Na sessão da Câmara, havia uma senhora (Dona Maria, como a chamou os vereadores Bruno Siqueira e Francisco Canalli) que ficava gritando toda hora. Com umas cicatrizes no rosto sofrido, de quem trabalha bastante, obesa, roupa simples e sacolas do Bahamas na mão. Eu ficava observando...
E pensei: é essa a legítima representante de uma camada social que não entende o funcionamento de um sistema democrático. Não teve oportunidade de aprender que, numa democracia, é preciso que um grupo social se reúna com seus ideais e propostas, e reivindicar ao poder.
Coisa que também, no Brasil, quando o assunto é governo federal, não acontece. A distância da maior concentração de pessoas no país/área (região sudeste) e a falta de organização dos movimentos impede que isto aconteça.
Dona Maria berrava ao plenário que trabalhara por mais de 30 anos, ganhando seu dinheirinho honesto. Que Juiz de Fora só tem político ladrão. "E quem não róba nessa politicage do Brasil?", gritou, seguido de risadas do plenário. O vereador Bruno Siqueira pediu ao presidente da Casa, Francisco Canalli, para que pedisse à senhora que ficasse quieta.
Écomo acontece no Brasil. Certas vezes, o povo não sabe como protestar, grita alto nas ruas e ainda é calado. E tem que suportar corrupção e aumento de salários desnecessários em Brasília.
Foi um espetáculo de muita gritaria e confusão. Confusão devido à briga que ocorreu entre os partidários do vereador e do movimento "Fora Vicentão". http://www.radiosolar.com.br/noticias.php?news=2177
Na sessão da Câmara, havia uma senhora (Dona Maria, como a chamou os vereadores Bruno Siqueira e Francisco Canalli) que ficava gritando toda hora. Com umas cicatrizes no rosto sofrido, de quem trabalha bastante, obesa, roupa simples e sacolas do Bahamas na mão. Eu ficava observando...
E pensei: é essa a legítima representante de uma camada social que não entende o funcionamento de um sistema democrático. Não teve oportunidade de aprender que, numa democracia, é preciso que um grupo social se reúna com seus ideais e propostas, e reivindicar ao poder.
Coisa que também, no Brasil, quando o assunto é governo federal, não acontece. A distância da maior concentração de pessoas no país/área (região sudeste) e a falta de organização dos movimentos impede que isto aconteça.
Dona Maria berrava ao plenário que trabalhara por mais de 30 anos, ganhando seu dinheirinho honesto. Que Juiz de Fora só tem político ladrão. "E quem não róba nessa politicage do Brasil?", gritou, seguido de risadas do plenário. O vereador Bruno Siqueira pediu ao presidente da Casa, Francisco Canalli, para que pedisse à senhora que ficasse quieta.
Écomo acontece no Brasil. Certas vezes, o povo não sabe como protestar, grita alto nas ruas e ainda é calado. E tem que suportar corrupção e aumento de salários desnecessários em Brasília.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Rogério Skylab
Sou novo fã deste artista carioca. Brasileiríssimo. E sério. Antes dessa entrevista, que ele nos concedeu no Hotel Colina Verde, antes do seu show no Cultural Bar, em Juiz de Fora (MG), conhecia pouco do seu trabalho e achava-o irônico demais. Mas, este ato jornalístico mudou minha opinião. Confira a entrevista que Rogério Skylab concedeu a equipe do Jardim do Rock, Gui Monteiro, Vítor Campanha e Marcelo Martins.
* Você só fala dos “olimpianos” da mídia em várias músicas suas. Por que?
Porque o meu trabalho tem o objetivo de questionar a grande mídia. Ela é um setor de subdesenvolvimento da cultura brasileira, pois ela a atrasa. A cultura brasileira está sempre fervilhando de coisas novas, mas a grande mídia não divulga isso.
* Mas você já apareceu no Jô algumas vezes. Como chegou até ele?
Consegui acesso ao Programa do Jô de tanto enviar meu material para a produção dele. Outro fato influenciou. Era o ano de 1994, ano da morte do Ayrton Senna e eu apareci no SBT questionando a comoção nacional pelo falecimento do piloto. Eu tinha dito também que ele era um peão das multinacionais e criei polêmica. Discuti este assunto com o Jô durante um bom tempo na primeira vez que estive lá.
* O seu trabalho tem o intuito de renovar a cultura brasileira?
Meu trabalho sempre navegou nessa contramão. A minha música dificilmente tocaria numa rádio. Nunca tive esperança de ser contratado por uma grande gravadora porque as letras e os arranjos das minhas musicas são mesmo diferentes. O que sustenta as gravadoras são as grandes figuras como Ivete Sangalo, Cláudia Leite e Roberto Carlos. E quem as sustenta é o pobre. Mas, estamos vivendo uma grande renovação. As gravadoras estão lucrando menos devido à queda na venda de CDs. E o motivo disso é o aumento do número de acessos à internet pelas classes sociais mais baixas. O futuro não terá mais esse padrão radiofônico e as rádios terão que se adaptar ao novo sistema: o da diferença. Cada banda ou artista vai ter o seu tipo de som.
* A maioria de suas músicas falam a respeito de doença, como “Jesus”. Por que?A crítica que faço é a esse processo de lavagem cerebral que a medicina faz com as pessoas, obrigando- as a alimentarem-se bem e a praticarem exercícios. Para mim, a medicina está ligada a uma nova ideologia.
* Qual a sua opinião sobre as pessoas que acham seu trabalho engraçado?
Eu não seria capaz de reagir contra isso, como ficar indignado. Minha música é extremamente séria. Cada um recebe da maneira que melhor lhe convier. Há a letra de uma música minha que diz “eu tô pensando, eu tô pensando” e não digo mais nada. Há pessoas que me criticam, falando que isso não é música porque não há letra. Mas, atualmente, as minhas canções tendem cada vez mais a eliminar as palavras.
Um pouco da história da entrevista...
Atrasamos vinte minutos. 21:05 chegamos ao Cultural, mas nos informaram que ele estaria jantando no hotel em frente ao bar. Atravessamos a rodovia, caminhamos um pouco e chegamos ao hotel. Na recepção, pedimos ao funcionário que avisasse à assessoria que estávamos la, querendo falar com ele. Sentamos no sofá e esperamos.
Cinco minutos depois, um cara alto, de barbicha e de óculos sobe umas escadas e vai à recepção. "Quem ta querendo falar comigo? O pessoal da Rádio Universitária ta por aí?" "Somos nós", exclamamos os três. Em off, Skylab afirmou que há uma grande receptividade do seu trabalho no meio universitário. Depois da entrevista, afirmei: "Virei fã desse cara." Vou fazer o possível para disponibilizar o áudio desta entrevista na net. E quem tiver a oportunidade, entreviste-o.
Na edição do Jardim do Rock de 27/06/08, ele participará do quadro "Calçadão do Rock", sugerindo uma (excelente) música. Não percam.
Abraço especial para meus amigos Guilherme e Vítor.
E um beijo bem gostoso pra Ana. Te amo!
* Você só fala dos “olimpianos” da mídia em várias músicas suas. Por que?
Porque o meu trabalho tem o objetivo de questionar a grande mídia. Ela é um setor de subdesenvolvimento da cultura brasileira, pois ela a atrasa. A cultura brasileira está sempre fervilhando de coisas novas, mas a grande mídia não divulga isso.
* Mas você já apareceu no Jô algumas vezes. Como chegou até ele?
Consegui acesso ao Programa do Jô de tanto enviar meu material para a produção dele. Outro fato influenciou. Era o ano de 1994, ano da morte do Ayrton Senna e eu apareci no SBT questionando a comoção nacional pelo falecimento do piloto. Eu tinha dito também que ele era um peão das multinacionais e criei polêmica. Discuti este assunto com o Jô durante um bom tempo na primeira vez que estive lá.
* O seu trabalho tem o intuito de renovar a cultura brasileira?
Meu trabalho sempre navegou nessa contramão. A minha música dificilmente tocaria numa rádio. Nunca tive esperança de ser contratado por uma grande gravadora porque as letras e os arranjos das minhas musicas são mesmo diferentes. O que sustenta as gravadoras são as grandes figuras como Ivete Sangalo, Cláudia Leite e Roberto Carlos. E quem as sustenta é o pobre. Mas, estamos vivendo uma grande renovação. As gravadoras estão lucrando menos devido à queda na venda de CDs. E o motivo disso é o aumento do número de acessos à internet pelas classes sociais mais baixas. O futuro não terá mais esse padrão radiofônico e as rádios terão que se adaptar ao novo sistema: o da diferença. Cada banda ou artista vai ter o seu tipo de som.
* A maioria de suas músicas falam a respeito de doença, como “Jesus”. Por que?A crítica que faço é a esse processo de lavagem cerebral que a medicina faz com as pessoas, obrigando- as a alimentarem-se bem e a praticarem exercícios. Para mim, a medicina está ligada a uma nova ideologia.
* Qual a sua opinião sobre as pessoas que acham seu trabalho engraçado?
Eu não seria capaz de reagir contra isso, como ficar indignado. Minha música é extremamente séria. Cada um recebe da maneira que melhor lhe convier. Há a letra de uma música minha que diz “eu tô pensando, eu tô pensando” e não digo mais nada. Há pessoas que me criticam, falando que isso não é música porque não há letra. Mas, atualmente, as minhas canções tendem cada vez mais a eliminar as palavras.
Um pouco da história da entrevista...
Atrasamos vinte minutos. 21:05 chegamos ao Cultural, mas nos informaram que ele estaria jantando no hotel em frente ao bar. Atravessamos a rodovia, caminhamos um pouco e chegamos ao hotel. Na recepção, pedimos ao funcionário que avisasse à assessoria que estávamos la, querendo falar com ele. Sentamos no sofá e esperamos.
Cinco minutos depois, um cara alto, de barbicha e de óculos sobe umas escadas e vai à recepção. "Quem ta querendo falar comigo? O pessoal da Rádio Universitária ta por aí?" "Somos nós", exclamamos os três. Em off, Skylab afirmou que há uma grande receptividade do seu trabalho no meio universitário. Depois da entrevista, afirmei: "Virei fã desse cara." Vou fazer o possível para disponibilizar o áudio desta entrevista na net. E quem tiver a oportunidade, entreviste-o.
Na edição do Jardim do Rock de 27/06/08, ele participará do quadro "Calçadão do Rock", sugerindo uma (excelente) música. Não percam.
Abraço especial para meus amigos Guilherme e Vítor.
E um beijo bem gostoso pra Ana. Te amo!
quinta-feira, 10 de abril de 2008
www.multimeios.ufjf.br
Esse é o site da Produtora de Multimeios da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde comecei a trabalhar no dia 09/04/08. E gostei muito.
Hoje, várias "coincidências" na meu segundo dia de trabalho, o primeiro como cinegrafista. Eu e toda a equipe (2 cinegrafistas- Vítor e Marcelo Pires, produtoras - Carol e Nathalie, e a apresentadora Juliana) fomos ao bairro Santa Catarina. A primeira entrevistada fazia tricô e costurava. Depois fomos a uma espécie de abrigo de crianças e registramos a praça e alguns trechos do bairros.
As partes em vermelho são as pequenas coincidências que, na hora, me veio à cabeça. Mas.. é só pra comentar...
Abraço a todos e obrigado, meus caros colegas. Beijo Ana.
Hoje, várias "coincidências" na meu segundo dia de trabalho, o primeiro como cinegrafista. Eu e toda a equipe (2 cinegrafistas- Vítor e Marcelo Pires, produtoras - Carol e Nathalie, e a apresentadora Juliana) fomos ao bairro Santa Catarina. A primeira entrevistada fazia tricô e costurava. Depois fomos a uma espécie de abrigo de crianças e registramos a praça e alguns trechos do bairros.
As partes em vermelho são as pequenas coincidências que, na hora, me veio à cabeça. Mas.. é só pra comentar...
Abraço a todos e obrigado, meus caros colegas. Beijo Ana.
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