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sábado, 2 de janeiro de 2010

Tragédia em Juiz de Fora



Começo desejando um feliz 2010 a todos e aproveito para alertar as famílias que moram em áreas de risco nesta época de chuvas.

Estive no bairro Cesário Alvim, onde uma família amanheceu de luto em 2010. Três moradores foram soterrados pela terra que desceu do barranco e conseguiu destruir metade da casa.


Foi triste ver as famílias lamentando a perda dos familiares. Pela primeira vez vi in loco um acidente desse. É terrível, mas o sangue jornalístico que corre nas veias faz com que mantenhamos frios e atenciosos para realizar o trabalho.



Fotos do blog do Léo de Oliveira

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Grito dos excluídos

No próximo domingo, acontece o Grito dos Excluídos. No "dia da independência" do país, os excluídos da sociedade - os que não tem uma vida digna, como moradores de rua - ganham espaço na mídia e todos (e todas) são convidados a refletir políticas públicas para esses setores na sociedade.

O Grito acontece em toda a América Latina. Mobiliza movmentos sociais e igrejas. Há onze anos é realizado. É... pouca coisa mudou. Não sei se por falta de iniciativa do poder público (que sempre ouve reivindicações para melhoria nas políticas públicas) ou pela insistência dos excluídos e viverem assim. Não sejamos hipócritas: há pessoas que, de fato, preferem viver na rua, sem trabalho, sem se esforçar para conseguir o seu pão de cada dia. Preferem ser medíocres. Cada um tem a sua opção (vivemos num regime demo-crático)...

Toda essa introdução serviu preu me relembrar do Grito dos Excluídos de 2004 que aconteceu em Monte Sião. No clima de incerteza, era ano de eleições municipais. A Pastoral da Juventude (da qual eu participava na época) fez um movimento pelo voto consciente. Repercutiu na mídia local (e, claro, mais pelo boca a boca). Todo mundo só falava nisso até o Natal (quando a pauta muda para a elaboração de modelos de peças de tricô pra alta estação).

É, a realidade da cidade mudou. Nova administração, novas lideranças políticas surgiram... Espero que o melhor esteja reservado para esta cidade que tanto sofreu com o não-investimento em educação, saúde e lazer na sua Belle époque dos anos 80.

Hoje sei porque tantas pessoas saem da cidade pra estudar, em busca de um futuro melhor.

sábado, 23 de agosto de 2008

O povo

Fui cobrir a instauração da Comissão de Ética para apurar as denúncias contra o vereador Vicentão, ex-presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora. (http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2008/07/16/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=71806/em_noticia_interna.shtml)
Foi um espetáculo de muita gritaria e confusão. Confusão devido à briga que ocorreu entre os partidários do vereador e do movimento "Fora Vicentão". http://www.radiosolar.com.br/noticias.php?news=2177

Na sessão da Câmara, havia uma senhora (Dona Maria, como a chamou os vereadores Bruno Siqueira e Francisco Canalli) que ficava gritando toda hora. Com umas cicatrizes no rosto sofrido, de quem trabalha bastante, obesa, roupa simples e sacolas do Bahamas na mão. Eu ficava observando...

E pensei: é essa a legítima representante de uma camada social que não entende o funcionamento de um sistema democrático. Não teve oportunidade de aprender que, numa democracia, é preciso que um grupo social se reúna com seus ideais e propostas, e reivindicar ao poder.

Coisa que também, no Brasil, quando o assunto é governo federal, não acontece. A distância da maior concentração de pessoas no país/área (região sudeste) e a falta de organização dos movimentos impede que isto aconteça.

Dona Maria berrava ao plenário que trabalhara por mais de 30 anos, ganhando seu dinheirinho honesto. Que Juiz de Fora só tem político ladrão. "E quem não róba nessa politicage do Brasil?", gritou, seguido de risadas do plenário. O vereador Bruno Siqueira pediu ao presidente da Casa, Francisco Canalli, para que pedisse à senhora que ficasse quieta.

Écomo acontece no Brasil. Certas vezes, o povo não sabe como protestar, grita alto nas ruas e ainda é calado. E tem que suportar corrupção e aumento de salários desnecessários em Brasília.